TRA
Inspirando-se na antiga figura napolitana do femminiello — uma presença reverenciada, considerada auspiciosa e espiritualmente única —, TRA presta homenagem àqueles que vivem fora das expectativas binárias de gênero.


TRA resiste à intelectualização acadêmica excessiva da identidade. Ela fala de um estado de ser entre, no meio de e dentro de — um espaço energético onde o masculino e o feminino convergem e se dissolvem, onde as categorias se confundem em algo mais elementar. Roman viaja por Nápoles, onde a paisagem está presa entre períodos de tempo e a relação entre as pessoas e o lugar é intuitiva, sentida, incorporada e antiga. Embora identidades de espírito duplo tenham sido frequentemente reconhecidas em corpos atribuídos ao sexo masculino, as expressões de variação de gênero nascidas do sexo feminino têm sido historicamente descartadas ou menosprezadas. Termos como maschiaccio ou totore (gíria napolitana) carregam um estigma cultural e de classe. Este projeto inclui masculille em uma tentativa de recuperar esse espaço, oferecendo uma reimaginação baseada na dignidade, tradição e transformação.



Sobre o autor:
Roman Manfredi é artista. Utiliza fotografia analógica, imagens em movimento e som, para explorar as interseções entre lugar, narrativas pessoais e paisagens políticas através da experiência cotidiana. Apaixonado por amplificar as narrativas da classe trabalhadora, seu trabalho está enraizado na captura de comunidades, experiências e identidades sub-representadas, com ênfase nas perspectivas LGBTQ+.

