Equipamentos de Proteção Individual (EPI – PPE, no original em inglês) referem-se aos equipamentos especializados utilizados por profissionais de saúde para se protegerem contra patógenos altamente infecciosos, como o Ebola, o vírus de Marburg e a COVID-19.
Este projeto, juntamente com o conjunto de trabalhos que o acompanha, foi desenvolvido durante os estágios iniciais da pandemia da COVID-19 e dos confinamentos associados a ela. Durante esse período, imagens de profissionais da área médica em trajes de proteção contra materiais perigosos saturaram a mídia, contribuindo para a ansiedade e o medo generalizados do público. A repentina demanda global por equipamentos de proteção, impulsionada tanto pelos sistemas de saúde quanto por indivíduos fora da área médica, levou a uma escassez significativa de EPI — particularmente máscaras faciais.


Os seres humanos usam máscaras há milênios; elas estão enraizadas em nossa história psicológica e cultural coletiva. Em todo o mundo, rituais tradicionais com máscaras apresentam semelhanças impressionantes, apesar de terem origem em comunidades diversas. Ao longo da história, as máscaras serviram a inúmeros propósitos, incluindo a participação em cerimônias religiosas, celebrações comunitárias e guerras. Elas têm sido usadas para transmitir presenças espirituais durante ritos de iniciação e práticas funerárias, com algumas máscaras consideradas representativas de espíritos ancestrais e outras associadas a sociedades esotéricas ou secretas.
No cinema contemporâneo, o uso de máscaras tornou-se um recurso estilístico onipresente, aparecendo em quase todos os filmes de terror como um meio de aumentar o suspense, ocultar a identidade e evocar medos psicológicos mais profundos.
Durante as epidemias de peste bubônica que devastaram a Europa, os médicos da peste adotaram as primeiras formas de Equipamento de Proteção Individual para se protegerem da infecção. Seu traje, hoje icônico, incluía máscaras sinistras, com aparência animal, projetadas para manter o ar contaminado afastado. Este conjunto de obras também pretende servir como uma homenagem a esse período da história social.



As imagens do projeto PPE-19 retratam figuras vestidas com trajes de proteção contra substâncias perigosas e usando máscaras feitas de repolhos, materiais artesanais e objetos encontrados. Historicamente, acreditava-se que os repolhos possuíam propriedades medicinais, particularmente para o tratamento de infecções pulmonares e dificuldades respiratórias, tornando sua inclusão uma referência simbólica às práticas curativas do passado.
Os elementos florais que aparecem nos fundos de algumas imagens prestam homenagem às máscaras com bico dos médicos da peste, que eram tipicamente preenchidas com flores secas, ervas e láudano. Acreditava-se que essas substâncias aromáticas ofereciam proteção contra o contágio transmitido pelo ar.
O projeto PPE-19 explora tanto o significado histórico quanto o contemporâneo das máscaras de proteção — desde vestimentas da era da peste até equipamentos modernos de proteção contra materiais perigosos. Criado inteiramente dentro das limitações do meu apartamento durante o confinamento, o projeto reflete sobre a continuidade e a mudança nas formas como os seres humanos se protegem contra doenças.




Sobre o autor:
Aaron Yeandle é fotógrafo documental de belas artes. Bacharel em Fotografia, mestre em Belas-Artes e possui um Certificado de Pós-Graduação em Educação (PGCE) para o ensino pós-obrigatório. É reconhecido por prêmios e indicações de institutos fotográficos internacionais, com trabalhos em exposições individuais e coletivas nacional e internacionalmente.

