A região ártica tornou-se um campo de batalha pela influência global, uma região onde as nações manobram para obter o controle sobre recursos inexplorados, posições estratégicas e rotas marítimas vitais.
À medida que a China expande seus investimentos no Ártico e os Estados Unidos pressionam suas ambições pela Groenlândia, a Rússia reforça seu controle sobre Svalbard, ampliando sua presença em Barentsburg e Pyramiden. Esses assentamentos, originalmente construídos para a mineração de carvão sob o Tratado de Svalbard de 1920, agora são relíquias de uma era passada – mas seguem profundamente relevantes nas lutas pelo poder de hoje.
Antigamente símbolos da força e autossuficiência soviéticas, Barentsburg e Pyramiden foram abandonadas após o colapso da União Soviética. No entanto, o tempo não as apagou. Em vez disso, elas existem em um limbo estranho, suspensas entre o passado e o presente, onde a Guerra Fria nunca terminou completamente – apenas congelou no tempo.












Agora, com o aumento das tensões geopolíticas, a história parece estar se repetindo. As forças ideológicas que antes definiam o Oriente e o Ocidente – ambição territorial, domínio político e controle sobre recursos estratégicos — não desapareceram; simplesmente evoluíram. Os mesmos slogans, a mesma arquitetura grandiosa e os resquícios da propaganda soviética não apenas relembram o passado, mas o sustentam.
Esta série de fotos explora a interseção entre história e poder em um lugar onde o ontem e o hoje se encontram. Não é apenas uma documentação das mudanças geopolíticas, mas também um retrato daqueles que habitam esse espaço. Alguns vêm em busca de oportunidades econômicas, outros por uma sensação de liberdade. E outros seguem atraídos pela ideologia que permanece no ar do Ártico.
Suas vidas se desenrolam em um ambiente que carrega o peso do passado, onde cada fachada em ruínas e cada mural de propaganda servem como uma lembrança que, em muitos aspectos, a história nunca realmente se foi.




Sobre o autor:
Evgeny Makarov, estudou ciências sociais (Universidade de Hamburgo) e fotojornalismo (Escola Dinamarquesa de Mídia e Jornalismo). Fotografa para publicações internacionais e dedica-se a projetos pessoais.

